Cientistas de seis países estão desenvolvendo um mapa do cérebro humano que pode revelar como funcionam áreas que vão da linguagem ao movimento.
Com base em imagens dos cérebros de 7 mil pessoas, a equipe está montando um atlas cerebral que espera ser o mais abrangente retrato já feito das ainda pouco conhecidas estruturas e funções do órgão.
Os cientistas esperam que o estudo vá lhes permitir saber com mais precisão quais áreas do cérebro controlam funções específicas no corpo.
Outro objetivo seria descobrir as diferenças entre cérebros considerados saudáveis e os de pacientes de doenças como o mal de Alzheimer ou a esquizofrenia.
Dessa forma, os primeiros sintomas poderiam ser rapidamente identificados, permitindo que essas doenças fossem tratadas ainda no início.
A notícia do estudo se espalhou pela comunidade de neurologistas, que já enviaram uma série de imagens, fazendo aumentar o banco de dados.
Cérebros
O especialista em imagens cerebrais da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) e um dos envolvidos no estudo, John Mazziota, explica que cada cérebro é diferente. Além da variação no formato e no tamanho, cada cérebro tem uma forma própria de organização.
"Não há dois cérebros iguais", afirma Mazziota. "Você não pode apenas apontar uma área do cérebro e dizer 'aqui está o lugar da linguagem'."
Mazziotta cita como exemplo o fato de cada cérebro lidar com o raciocínio e com o aprendizado de uma palavra de forma diferente.
"A execução dessas funções envolve um complexo circuito cerebral."
É por isso que especialistas na área dizem que a única forma de entender como o cérebro funciona é reunir informações do maior número possível de chapas, a fim de estabelecer como um cérebro "médio" funciona.
Também envolvido no estudo, o neurologista Artur Toga diz que até o início do mapeamento não havia como comparar as diferentes formas de os cérebros funcionarem.
"Agora nós podemos olhar para as informações de diferentes formas, o que permite que olhemos para diferentes aspectos do funcionamento do cérebro", afirmou Toga, que leciona neurologia na UCLA.
"O mais importante é termos um banco de dados geral com base no qual nós possamos comparar pacientes."
O cientista cita o exemplo do mal de Alzheimer, uma doença degenerativa.
"Nós sabemos como um cérebro com Alzheimer se comporta, mas o que nós realmente queremos é descobrir como um cérebro com Alzheimer era antes de a doença se manifestar."
O trabalho do grupo não está concluído.
À medida que novas imagens forem obtidas e estudadas, novas informações serão acrescentadas ao banco de dados.