Uma equipe de cientistas de Israel descobriu que, ao contrário do que se pensava antes, o sexo freqüente ajuda a melhorar a qualidade do esperma.
Em experimentos feitos com milhares de amostras de sêmen, a equipe das Universidades Soroka e Ben-Gurion do Negev comprovou que a forma e a habilidade dos espermatozóides piorou a partir de dois dias de abstinência sexual.
A pesquisa indicou ainda que a proporção de espermatozóides com capacidade de se movimentar (essencial para a reprodução) caía à medida em que a abstinência sexual continuava.
A descoberta contradiz a crença atual, segundo a qual o sêmen melhora com a abstinência. A própria Organização Mundial da Saúde recomenda às clínicas de fertilidade que exijam uma abstinência sexual de dois a sete dias para melhorar a qualidade do esperma a ser coletado.
Quantidade x qualidade
Os pesquisadores descobriram que o volume de sêmen aumenta depois de pelo menos 11 a 14 dias de abstinência, mas a qualidade desse esperma, no entanto, piora significativamente.
O doutor Eliahu Levitas, que liderou a equipe de pesquisadores, apresenta os resultados do estudo nesta segunda-feira no encontro anual da Sociedade Européia de Reprodução Humana, em Madri (Espanha).
"Nossos dados contradizem o papel da abstinência nos tratamentos de infertilidade masculina", afirmou.
"Para os tratamentos em que se tenta o obter a melhor qualidade de esperma possível para inseminação dentro do útero, nós recomendamos uma abstinência mínima - idealmente não mais do que dois dias."
Os pesquisadores ainda não sabem explicar definitivamente por que a qualidade do esperma piora com o tempo de abstinência.
"É possível que haja danos causados, por exemplo, pelo fumo ou pela bebida", afirmou o doutor Levitas.