A Comissão Internacional de Caça às Baleias decidiu criar um comitê interno para analisar os efeitos nocivos da caça aos animais e recomendar mudanças de atitude para garantir a preservação das espécies.
A decisão é considerada uma mudança radical de postura da organização, que já tem 57 anos e normalmente se preocupa apenas em regular a caça às baleias.
O Japão, conhecido pela defesa radical da caça, disse que não vai participar do comitê interno e que está pensando em se retirar completamente da Comissão Internacional de Caça às Baleias em protesto contra a decisão.
A vitória dos ambientalistas na reunião em Berlim (Alemanha) foi apertada: 25 votos pró-preservação a 20 contra. Japão, Noruega e países do Caribe lideraram o grupo que rejeitou a criação do comitê.
Fins comerciais
Esses países defendem a retomada da caça às baleias para fins comerciais, hoje suspensas, e acreditam que a recente decisão indica que a retomada nunca deverá acontecer.
Os Estados Unidos e a maioria dos países europeus votaram a favor do comitê.
O comitê preservacionista deve começar os trabalhos no ano que vem. O órgão deve ser responsável por denunciar problemas enfrentados pelas baleias, como as redes de pescaria em que elas ficam presas, a poluição dos oceanos, as mudanças climáticas bruscas e o uso de sondas no mar.
Os ambientalistas comemoraram a decisão. "O que um dia foi um clube de caçadores de baleias agora se tornou uma força para a preservação", disse uma declaração oficial do Fundo Internacional para o Bem-Estar Animal.
O líder da delegação japonesa, Masayuki Komatsu, no entanto, ficou "revoltado". "Isso é ridículo. Estou irado. Nós sabemos que existem milhões de baleias por aí", disse.
O Japão, a Noruega e a Islândia deixaram claro que não vão participar nem financiar o novo comitê preservacionista.