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12 de junho, 2003 - 16h25 GMT (13h25 Brasília)

Crânio pré-histórico pode confirmar origem do homem

Cientistas dizem ter descoberto três crânios fossilizados na Etiópia que seriam os mais antigos fósseis de seres humanos.

Os crânios de dois adultos e uma criança, de cerca de 160 mil anos, foram encontrados perto de uma aldeia chamada Herto, no leste do país.

A descoberta dos crânios confirma estudos genéticos que diziam que o Homo sapiens surgiu justamente nesse período e nessa região da África.

"Toda a genética indicava uma origem recente para humanos na África. Agora nós temos os fósseis", afirmou o professor Tim White, da Universidade da California em Berkeley, um dos comandantes da equipe que fez a descoberta.

Maiores

Os crânios são um pouco maiores, um pouco mais longos e têm sobrancelhas mais pronunciadas do que o homem moderno e por isso ganhou o apelido de Homo sapiens idaltu (idaltu siginfica "mais idoso" na língua da região).

"Esses exemplares são essenciais porque fecham o buraco que havia entre as formas mais arcaicas na África e os humanos modernos que existiam 100 mil anos atrás", disse o professor White.

A pesquisa foi publicada na revista Nature.
Reconstituição de habitante da aldeia de Herto
Os primeiros seres humanos seriam assim (Imagem: J. Matternes)
Os crânios descobertos confirmam a teoria de que o homem moderno saiu da África, migrou para todas as outras partes do mundo e substituiu hominídeos que lá viviam, como o homem de Neanderthal, na Europa.

Os crânios foram encontrados em fragmentos, em um local identificado pela primeira vez em 1997 num vale seco e empoeirado do leste da Etiópia.

Primeiro, foram descobertas ferramentas feitas de pedra e fósseis de um hipopótamo. Depois, foram encontrados fósseis de búfalos, o que indicaria que os primeiros humanos comiam uma dieta rica em carne.

O crânio mais completo foi descoberto em meio ao sedimento do local. Ele foi exposto por fortes chuvas e revirado por vacas que pastavam por ali.

O crânio da criança, de 6 ou 7 anos, foi encontrado em mais de 200 pedaços e teve que ser completamente reconstruído.

Todos os crânios tinham marcas indicando que carne teria sido retirada deles em algum tipo de ritual após a morte. Esse tipo de comportamento foi encontrado em sociedades mais modernas, como na Nova Guiné, por exemplo.

Os crânios de Herto podem indicar também o mais antigo marco do pensamento – comportamento sofisticado que nos separa dos animais.