CPI da Covid ouve médica que foi demitida 10 dias após assumir cargo na pandemia

Luana Araújo ao lado do ministro Marcelo Queiroga, em evento de 12 de maio

Crédito, Marcello Casal Jr/Ag Brasil

Legenda da foto, Luana Araújo ao lado do ministro Marcelo Queiroga, em evento de 12 de maio; sua nomeação foi retirada apenas dez dias depois
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Tempo de leitura: 2 min

A CPI da Covid, que apura ações e omissões do Poder Executivo durante a pandemia, ouve nesta quarta-feira (2/6) a infectologista Luana Araújo. A médica, que foi anunciada, em 12 de maio, pelo ministro Marcelo Queiroga (Saúde) como titular da recém-criada Secretaria Extraordinária de Enfrentamento à Covid-19, teve sua nomeação cancelada apenas dez dias depois.

O motivo da saída da médica não foi explicado por Queiroga nem pelo Ministério da Saúde, que informou apenas que buscaria "outro nome com perfil profissional semelhante: técnico e baseado em evidências científicas".

Reportagem do jornal O Globo, porém, mostrava que Araújo havia se manifestado em suas redes sociais contra o uso da cloroquina e de outros remédios que o governo chegou a promover ativamente como "tratamento precoce", apesar de as evidências científicas apontarem que esses medicamentos não têm eficácia contra a covid-19 - e podem, ao contrário, trazer efeitos colaterais graves e gerar uma falsa sensação de proteção.

A convocação de Luana Araújo à CPI visa esclarecer as circunstâncias em torno do cancelamento de sua nomeação.

"Isso aconteceu muito recentemente e ainda há dúvidas sobre o que fez o governo, o Ministério da Saúde, ao não nomear efetivamente essa pessoa. Há rumores de que seria pelo fato de que ela questiona vários pontos da condução política que o governo tem dado ao enfrentamento da pandemia", disse, segundo a Agência Senado, o senador Humberto Costa (PT-PE).

Ao lado do senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), Costa foi autor do requerimento pela convocação de Araújo.

Inicialmente, a CPI da Covid faria nesta quarta-feira uma audiência pública para ouvir médicos e pesquisadores a respeito dos medicamentos do chamado "tratamento precoce".

Essa audiência, no entanto, foi cancelada. Os senadores críticos ao governo dizem querer ouvir a versão de Araújo antes de convocar um novo depoimento do ministro Marcelo Queiroga.

Secretaria especial

A Secretaria Extraordinária de Enfrentamento à Covid-19 foi criada em decreto pelo presidente Jair Bolsonaro em 10 de maio, mais de um ano depois do início da pandemia.

A subpasta da Saúde ficaria encarregada de centralizar os esforços no combate à pandemia.

Luana Araújo, que se formou em Medicina pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e fez pós-graduação na Universidade Johns Hopkins (EUA), foi então anunciada como titular do cargo.

Em 12 de maio, o Ministério da Saúde fez um evento de lançamento para a secretaria e para uma campanha de promoção a medidas preventivas contra a covid-19.

Nesse evento, Araújo afirmou que coordenaria "a resposta nacional à covid-19, em diálogo permanente com todos os atores".

Mas, apenas dez dias depois, em 22 de maio, o Ministério da Saúde emitiu comunicado dizendo que Araújo não exerceria mais a função.

Na ocasião, Queiroga negou que tivesse havido pressão, por parte do Palácio do Planalto, contra a nomeação da médica.

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