EUA lançam novos ataques contra o Irã após Trump ameaçar 'atingir o país com força'

Torre vista em meio a um céu alaranjado

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, A Torre Milad, a mais alta do Irã, com 435 metros de altura, é vista em Teerã sob um céu iluminado após ataques aéreos de terça-feira
    • Author, Harry Sekulich
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O exército dos Estados Unidos lançou novos ataques contra o Irã após o presidente Donald Trump afirmar, nesta quarta-feira (11/6), que as forças norte-americanas iriam atingir o país "com força", alegando que Teerã tem levado "tempo demais para fechar um acordo" para encerrar a guerra.

O Comando Central dos EUA (Centcom) disse que iniciou "bombardeios adicionais de autodefesa" contra "múltiplos alvos no Irã" na tarde desta quarta.

A nota acrescentou: "Os ataques são uma resposta à agressão injustificada e contínua do Irã".

Dois navios no Estreito de Ormuz foram atingidos pela marinha do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) do Irã, pouco depois de o comando militar do país afirmar que embarcações seriam 'alvo' na região, segundo relatos da mídia estatal.

Ambos os lados têm atingido alvos militares e de vigilância ao longo da semana, em uma escalada significativa de ataques e retaliações.

Explosões também foram ouvidas na ilha de Qeshm, no Golfo, além de várias outras cidades, incluindo Bandar Abbas e Sirik.

Em resposta aos ataques dos EUA, o alto comando militar iraniano alertou que todas as embarcações — incluindo petroleiros e navios comerciais — que transitarem pelo Estreito de Ormuz poderiam ser atacadas.

Pouco depois, a marinha do IRGC, que patrulha o estreito, afirmou ter atingido dois petroleiros que tentavam o que chamou de "passagem ilegal".

O Estreito de Ormuz é uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo, por onde passa uma parcela significativa do petróleo global

Este foi o segundo dia consecutivo de troca de ataques entre os dois países.

Na terça-feira (9/6) um helicóptero americano foi derrubado sobre o Estreito de Ormuz. Os Estados Unidos acusaram o Irã de ser responsável pelo ataque e iniciaram bombardeios contra o país.

O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) respondeu atacando bases dos EUA em todo o Oriente Médio.

Navios vistos no mar

Crédito, EPA

Legenda da foto, Embarcações foram vistas ao largo da costa de Bandar Abbas, no sul do Irã, na semana passada. Ataques foram relatados nas proximidades da cidade portuária na quarta-feira

Horas antes do ataque desta quarta, Trump havia alertado: "Nós os atingimos com força ontem e vamos atingi-los com força novamente hoje."

Em publicação na rede Truth Social, Trump afirmou que líderes iranianos têm "levado tempo demais para negociar um acordo", enquanto o Ministério das Relações Exteriores do Irã acusou os EUA de "prejudicar o processo diplomático com mensagens contraditórias".

Em resposta às declarações de Trump, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian disse que o Irã "permanecerá firme diante de qualquer pressão ou ameaça".

O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmou posteriormente que bombas iriam "atingir instalações-chave no Irã".

Hegseth disse que o Irã teve uma chance de fechar um acordo, mas não a aproveitou, e que Trump havia dito que o país seria atacado novamente caso não houvesse um acordo de paz.

Em abril, EUA e Irã concordaram com um cessar-fogo que inicialmente deveria durar duas semanas. Desde então, ambos os lados têm trocado ataques esporádicos, sem retornar a hostilidades em grande escala.

No entanto, as recentes tentativas de mediação entre Washington e Teerã estão paralisadas, e os ataques têm se intensificado.

Os esforços diplomáticos entre os dois países vêm sendo marcados por sucessivos impasses, especialmente em torno do programa nuclear iraniano e das sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos.

Diplomatas têm alertado que a falta de confiança mútua continua sendo um dos principais obstáculos para qualquer acordo duradouro, enquanto episódios de escalada militar na região reduzem ainda mais o espaço para negociações.