Terremotos em Colômbia, Japão e Venezuela: os tremores estão ficando mais comuns?

    • Author, André Biernath
    • Role, Da BBC News Brasil em Londres
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  • Tempo de leitura: 4 min

Os recentes terremotos que ocorreram na Colômbia, no Japão e na Venezuela dão uma impressão de que o número de abalos sísmicos está aumentando nos últimos anos.

Mas não há evidências de que isso esteja acontecendo de fato, de acordo com os registros dos principais serviços geológicos do mundo.

O que tem avançado, na verdade, é a capacidade dos cientistas de detectar esses tremores, mesmo os mais leves: os equipamentos estão ficando cada vez melhores, e foram espalhados por várias regiões do planeta.

Além disso, hoje em dia as notícias viajam com muita rapidez pela internet e pelas redes sociais.

Ou seja, ficamos sabendo de um terremoto que acabou de acontecer do outro lado do mundo em questão de segundos, e com acesso a uma série de vídeos feitos pelas próprias vítimas e por câmeras de segurança.

Há um terceiro fator importante nessa equação: a população está crescendo e vive cada vez mais concentrada em grandes centros urbanos.

E isso aumenta também o número de pessoas potencialmente expostas aos efeitos de um terremoto.

A geofísica Susanne Maciel, professora da pós-graduação em Geociências da Universidade de Brasília (UnB), destaca que o terremoto registrado na Colômbia na segunda-feira (10/8), que atingiu uma magnitude de 7,4, é muito recente e ainda precisará ser estudado em detalhes para que seja possível entender as particularidades desse fenômeno.

"São terremotos que a gente espera que aconteçam nessa região, mas, dessa magnitude, eles são relativamente raros", analisa a especialista, que é apoiada pelo Instituto Serrapilheira.

"Desde 1950, aconteceram dois terremotos de magnitude maior do que 7 num raio de 250 quilômetros desse terremoto registrado na segunda-feira", complementa ela.

Quantos terremotos acontecem por ano?

O Centro Nacional de Informações sobre Terremotos dos EUA estima que, todos os anos, são registrados cerca de 20 mil terremotos ao redor do globo — em torno de 55 tremores de diferentes magnitudes todos os dias.

O Serviço Geológico dos Estados Unidos calcula uma média de 16 terremotos de magnitude mais alta a cada doze meses.

Em média, são 15 tremores que superam uma magnitude 7 e um que ultrapassa a barreira da magnitude 8.

Mas esse número não se repete com precisão de um relógio suíço: nas últimas cinco décadas, houve pelo menos uma dúzia de anos em que esse número de terremotos mais fortes fugiu da média esperada.

Um exemplo disso foi o que aconteceu em 2010, quando 23 terremotos sacudiram diferentes regiões do planeta.

Mas há ocasiões em que esse número fica abaixo do esperado: em 1989, foram registrados apenas seis tremores de maior gravidade, que superaram a magnitude 7.

"Em termos estatísticos, a ocorrência de terremotos é um processo muito variável", destaca Maciel.

"Então, é natural que a gente tenha agrupamentos de eventos dessa magnitude em algumas janelas pequenas de tempo", complementa a geofísica.

A pesquisadora reforça que não há dados suficientes para dizer que o mundo está experimentando uma anomalia em termos de abalos sísmicos.

"Na verdade, se a gente for pensar na própria estatística da ocorrência dos terremotos, é comum que a gente espere esses agrupamentos de terremotos", pontua ela.

"Esses terremotos estão acontecendo em zonas que a gente espera que eles aconteçam mesmo. E, por ser um processo muito variável, é comum que a gente tenha esses agrupamentos de vez em quando", explica Maciel.

Para a professora da UnB, os grandes terremotos registrados nos últimos meses tem mecanismos distintos e aconteceram em placas tectônicas diferentes.

"Então é muito pouco provável que eles tenham uma interação entre si, que estejam sendo causados por uma mesma razão."

O desafio está na imprevisibilidade dos terremotos: ainda não existem ferramentas capazes de prever quando, onde e com qual magnitude um terremoto vai acontecer.

Mas, em alguns lugares, a tecnologia já permite detectar um terremoto logo depois que ele começa.

Assim, é possível emitir alertas para regiões que ainda serão atingidas por ondas mais fortes, por exemplo, dando às pessoas alguns segundos preciosos para se proteger.