Irã lança mísseis contra Israel e promete 'semana de ataques'; ministro israelense diz que 'Teerã deve queimar'

Um rastro de luz ilumina o céu durante um ataque de míssil do Irã em direção a Israel, visto de Ashkelon, Israel, em 7 de junho de 2026.

Crédito, Reuters

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As Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) afirmam ter interceptado neste domingo (7/6) uma onda de mísseis iranianos no norte do país.

Foi a primeira vez que o Irã atacou diretamente Israel desde o frágil cessar-fogo acordado entre os dois países e os Estados Unidos em abril.

Segundo os militares israelenses, sirenes foram acionadas em diversas partes do território israelense.

"O Sistema de Defesa Aérea está atualmente identificando e interceptando ameaças", disse o comunicado das IDF.

A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC, na sigla em inglês) também publicou um comunicado, dizendo que "nossas unidades de mísseis e drones lançaram um ataque coordenado e intensivo contra o coração das cidades do norte" de Israel.

"Esta operação não é um evento passageiro, mas sim o início de uma semana inteira de ataques contínuos", afirmou a Guarda Revolucionária iraniana.

"Ondas de mísseis e drones continuarão sendo lançadas ininterruptamente pelos próximos sete dias, até que o inimigo seja dissuadido e cesse seus crimes."

"Qualquer ataque ao território iraniano será recebido com uma resposta devastadora e esmagadora, além de todas as expectativas", concluiu a autoridade militar iraniana.

Os preços do petróleo subiram na manhã de segunda-feira nos mercados asiáticos, após o Irã disparar mísseis contra Israel.

O preço do Brent, referência global, subiu 2,6%, para US$ 95,50 o barril, enquanto o WTI, petróleo negociado nos EUA, avançou 2,5%, para US$ 92,75.

As cotações da matéria-prima têm apresentado oscilações bruscas desde o acordo de cessar-fogo em abril. Os preços têm se mantido em torno da marca de US$ 95 na última semana, enquanto os investidores avaliavam o impacto a longo prazo da guerra nos fluxos globais de energia.

Israel atacou Beirute após cessar-fogo

Mais cedo neste domingo, Israel atingiu o sul de Beirute, no primeiro ataque à capital libanesa desde o cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos na semana passada.

Dois ataques aéreos contra dois prédios residenciais em um reduto do Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã, mataram duas pessoas e feriram pelo menos 20, incluindo mulheres e crianças, informou o Ministério da Saúde do Líbano.

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que Israel atacou "o quartel-general terrorista no distrito de Dahieh, em Beirute, em resposta aos disparos do Hezbollah contra território israelense". O Hezbollah confirmou posteriormente ter disparado contra posições militares israelenses.

Equipes de emergência no local dos ataques israelenses no sul de Beirute, no Líbano, em 7 de junho de 2026

Crédito, Reuters

Legenda da foto, Mais cedo, Israel atingiu o sul de Beirute. Na foto, equipes de emergência no local dos ataques israelenses deste domingo (7/6)

Após o ataque a Beirute, as Forças de Defesa de Israel disseram que estavam "se preparando para possíveis disparos" contra Israel nas horas seguintes.

A Força Aérea de Israel afirma ter interceptado "todos os mísseis lançados do Irã até o momento".

Acrescenta ainda que "outros lançamentos" foram identificados e que as forças armadas israelenses estão "detectando e interceptando ameaças continuamente".

O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, de direita radical, afirmou que Teerã "deve queimar", após os ataques do Irã ao norte de Israel.

"Esta noite, Teerã deve queimar!", declarou Ben-Gvir em uma breve postagem em hebraico na rede social X (antigo Twitter).

Um porta-voz das Forças de Defesa de Israel, Effie Defrin, afirmou em um curto comunicado que o regime iraniano cometeu um "grave erro".

O exército israelense afirmou que o tenente-general Eyal Zamir prometeu que o país "atacará o inimigo com determinação assim que a ordem for dada".

A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã disse em comunicado que os ataques desta noite contra Israel "serviram como um aviso".

Acrescentou que, caso os "atos de agressão" de Israel — referindo-se ao ataque ao Líbano hoje mais cedo — se repitam, as respostas serão "mais abrangentes", englobando "todos" os alvos americanos e israelenses na região, informa Ghoncheh Habibiazad, repórter sênior do serviço persa da BBC.

A IRGC reivindica ter atacado a Base Aérea de Ramat David, localizada a sudeste de Haifa, com mísseis balísticos.

Também acusa os EUA e Israel de "não cumprirem seus compromissos" no âmbito do cessar-fogo entre Irã, EUA e Israel, que entrou em vigor no início de abril.

Trump insta Netanyahu a não retaliar

O presidente dos EUA, Donald Trump, instou o Irã a retornar à mesa de negociações após o lançamento de mísseis contra o norte de Israel.

Em entrevista à emissora americana Fox News, Trump transmitiu uma mensagem ao Irã: "Vocês lançaram seus mísseis. Isso já basta. Voltem à mesa de negociações e façam um acordo."

Mais tarde, ao Financial Times, Trump declarou que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, não terá outra escolha senão aceitar qualquer acordo que os EUA fecharem com o Irã.

"Ele não terá escolha", disse Trump ao jornal britânico por telefone. "Quem manda sou eu. Eu tomo todas as decisões. Ele [Netanyahu] não manda em nada."

Trump disse ao Financial Times que os últimos ataques não tiveram "nenhum impacto no acordo".

"Veremos como isso termina", disse Trump. "É uma daquelas coisas que já dura 3 mil anos, ou 47 anos, dependendo de como se conta."

Trump havia dito anteriormente ao site de notícias americano Axios que pediria a Netanyahu que não retaliasse contra o Irã pelo último ataque, para garantir que os três lados pudessem salvar um acordo.

O presidente dos EUA depois reiterou essa mensagem ao Canal 12 de notícias de Israel, dizendo que não queria ver "um ataque adicional esta noite", segundo o jornal Times of Israel.

"Os ataques iranianos não prejudicaram ninguém", disse Trump. "Cada um se divertiu. Israel teve seu ataque e o Irã teve o seu. Não precisamos de outro."

Ele acrescentou que ligaria para Netanyahu "agora mesmo e diria para ele não retaliar".

Análise: Irã cumpre ameaça e muito agora depende da resposta de Israel

Por Sebastian Usher, correspondente de assuntos globais da BBC News

A tensão entre Irã, Israel e EUA devido à ofensiva israelense contra o Hezbollah no Líbano tem aumentado nos últimos dias.

Quando o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, deu sinal verde para que suas forças armadas atacassem novamente os subúrbios do sul de Beirute na semana passada, Teerã ameaçou realizar novos ataques contra o norte de Israel caso isso acontecesse.

A possibilidade de uma nova escalada militar no Líbano levou o presidente dos EUA, Donald Trump, a pedir a Netanyahu, nos termos mais enfáticos possíveis, que parasse com os ataques, temendo que tal ação comprometesse o já fragilizado cessar-fogo entre EUA e Irã.

Netanyahu concordou, mas sob a condição de que o Hezbollah não disparasse mais foguetes contra o norte de Israel.

Um novo cessar-fogo, ainda que precário, foi posteriormente acordado entre os governos israelense e libanês em negociações mediadas pelos EUA. Mas, mais uma vez, esse cessar-fogo pareceu não ter surtido muito efeito em campo.

E agora parece ter entrado em colapso, depois que Israel realizou ataques nos subúrbios do sul da capital libanesa, Beirute, em resposta aos contínuos lançamentos de foguetes do Hezbollah contra Israel.

Poucas horas depois, o Irã cumpriu sua ameaça, disparando uma saraivada de mísseis e drones contra Israel. A Guarda Revolucionária do Irã promete continuar os bombardeios por sete dias, embora haja indícios de que esse novo ataque possa ter sido uma advertência. Muito dependerá agora da resposta de Israel.

Pode haver uma nova rodada de ataques de retaliação entre os dois países, o que poderia reacender a guerra com o Irã.

A reação do presidente Trump também será crucial. Por enquanto, ele ainda parece determinado a tentar apaziguar a situação.

Um aspecto que este desdobramento mais recente deixou ainda mais claro é o papel central que o conflito no Líbano desempenha agora na determinação dos acontecimentos do conflito mais amplo no Oriente Médio.