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Bolsonaro falar em 'surto' não combina com imagem que ele criou, diz analista
O desenrolar dos fatos sobre a prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no último sábado (22/11) causou um "curto-circuito" no eleitor bolsonarista, avalia o analista político Creomar de Souza.
Bolsonaro afirmou na audiência de custódia realizada no domingo (23/11) que tentou abrir sua tornozeleira eletrônica após sofrer um episódio de "paranoia" e "alucinação" devido ao uso combinado de remédios.
Ele relatou que foi a primeira vez a ter um "surto" e que estava fazendo uso de pregabalina — medicamento indicado para o tratamento de dores crônicas e dores de origem neurológica, e de sertralina — antidepressivo indicado para o tratamento de depressão e transtornos de ansiedade.
De acordo com Bolsonaro, a associação desses remédios teria provocado efeitos colaterais.
Segundo o ex-presidente, ele acreditou que a tornozeleira eletrônica pudesse conter um dispositivo de escuta clandestino, o que teria motivado sua tentativa de mexer no equipamento.
Para o cientista político Creomar de Souza, a justificativa de Bolsonaro "é o famoso, na gíria, 'foi mal, tava doidão'".
"O arquétipo político que o bolsonarismo construiu em volta do Bolsonaro ao longo dos últimos anos é de um homem forte, resistente, mártir, que parte para o sacrifício e está sendo castigado porque enfrentou o sistema", afirma.
"Isso não combina com o ato do cara que teve um surto e tentou destruir a tornozeleira eletrônica. Gera um curto-circuito interpretativo para o eleitor"
Assista a um trecho da entrevista no vídeo.
Leia também a reportagem completa.